Diferença entre défice previsto pelo BdP e projeção do Governo "não é significativa"

Diferença entre défice previsto pelo BdP e projeção do Governo "não é significativa"

O Banco de Portugal mantém a previsão de crescimento da economia este ano de 1,8 por cento. Para o próximo será 1,6 por cento e daqui a dois anos 1,8 por cento.

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O Banco Central está mais otimista quanto às contas públicas do que há uns meses, apesar de continuar a prever um défice. O défice deverá ser de 0,2 po rcento este ano e de meio ponto percentual daí para a frente.

Já a inflação deverá disparar para 3 por cento este ano e só estabilizará mais para a frente, com o Governador do Banco de Portugal a avisar que mesmo que o estreito de Ormuz abra hoje, os efeitos ainda se vão sentir durante meses.

O ministro das Finanças anunciou que a diferença entre o défice previsto pelo Banco de Portugal para 2026 e a projeção do Governo "não é significativa", recordando que o próprio já admitiu um pequeno défice este ano.

"Quando o Banco de Portugal projeta [um saldo negativo de] 0,2% está dentro de uma margem de erro perfeitamente normal. Nós estamos a projetar zero, a diferença não é significativa, ao contrário de projeções anteriores que tinham diferenças muito mais significativas", afirmou Joaquim Miranda Sarmento, reagindo aos jornalistas às mais recentes previsões económicas do banco central, divulgadas hoje.

À saída de uma conferência em Lisboa na qual discursou sobre tema "Portugal mais forte perante os desafios", Joaquim Miranda Sarmento foi questionado sobre a evolução da economia portuguesa e as novas previsões do banco central, tendo referido que "o primeiro trimestre foi um trimestre difícil para Portugal", primeiro com as tempestades e depois com o conflito no Irão, pelo impacto que gerou "no preço dos combustíveis" e pela incerteza que causou.

Em março, depois das tempestades, mas antes apresentar a projeção de um saldo nulo para 2026, o ministro das Finanças admitiu a possibilidade de haver um "pequeno défice" este ano, facto que o próprio recordou hoje ao comentar as previsões.

"Já assumi que este ano pode haver um pequeno défice, face ao volume de impactos de que estamos a falar, coisa diferente daquilo que sempre disse sobre 2025, de que não haveria défice, ao contrário, haveria um `superavit` robusto", salientou, referindo-se ao resultado do ano passado, em que se registou um excedente orçamental de 0,7% do PIB.

Questionado sobre a evolução da despesa líquida primária, expurgada de efeitos temporários (sem investimento e sem juros), o ministro das Finanças disse que o valor "estabilizou em percentagem do PIB" e disse que não há "nem agravamento e muito menos descontrole", e salientou que o banco central salienta nas suas análises que "a situação orçamental de Portugal é bastante robusta".

O Banco de Portugal projeta que Portugal registe um défice de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 0,5% em 2027 e 2028. A previsão para 2026 é pior do que a do executivo, que em abril também atualizou as suas projeções para passar a prever um saldo nulo, em vez de um saldo positivo.

Em relação à trajetória da economia, manteve a previsão de crescimento deste ano ao contar que o PIB progrida 1,8% em relação a 2025.

 

C/Lusa

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